terça-feira, 14 de setembro de 2010

"Nimguem"


Em algum lugar está alguem
falando algo sobre outro alguem que passava em algum lugar
rindo sobre qalquer coisa que alguem tambem contava
era o mesmo lugar onde eu estive com alguem
que nao sei com o que me fazia tão feliz
era um lugar lindo, agora sofrido...
..não tem mais ninguém. 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

celephaisandklimt:

- Você já vai partir?
- Sim, amanhã.- Ah…- Queria te dar uma coisa, pra você se lembrar de mim.- Eu não preciso de nenhum artifício para lembrar de você!- Mesmo assim. Quero que fique com esta flor.- Ah, que linda! Eu nunca ganhara uma antes… Queria que ela durasse para sempre.- Nada dura para sempre.- Meu sentimento por você será para sempre. Ao menos por toda minha vida, isto basta pra você?- Isto não basta para mim, isto é tudo que eu tenho.Então a flor foi posta entre as páginas de um livro velho, e este, guardado no fundo de meu coração.
  
Celephais.
- Você já vai partir? - Sim, amanhã.

- Ah…
- Queria te dar uma coisa, pra você se lembrar de mim.
- Eu não preciso de nenhum artifício para lembrar de você!
- Mesmo assim. Quero que fique com esta flor.
- Ah, que linda! Eu nunca ganhara uma antes… Queria que ela durasse para sempre.
- Nada dura para sempre.
- Meu sentimento por você será para sempre. Ao menos por toda minha vida, isto basta pra você?
- Isto não basta para mim, isto é tudo que eu tenho.
Então a flor foi posta entre as páginas de um livro velho, e este, guardado no fundo de meu coração.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

amores vivi poucos como vivo mas nao sei realmente amar destinos vem e vão como o vento mas gostaria de falar que amores nao sao faceis de viver sao coisas tao dificeis de esquecer, mas gostaria de falar dificil é deixar de ti amar.
!
Sorriso perfeito da boca de quem se beija.
Os olhos escuros da noite de quem se vê.
Certeza, de nada na vida tenho certeza.
Mas, quero passar minha vida com você.


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Por voce.

Por você eu escreveria uma sinfonia ! Eu diria ao violino que é agora ou nunca, vendo ele tocar pra você. Por você eu seguiria mil milhas só pra chegar onde você está. Sigo o ritmo do meu coração. Nao preciso de muito, mais para você eu preciso. Eu preferia lhe dar o mundo todo. Ou nós podemos dividir o meu .



domingo, 29 de agosto de 2010

Guerras (e escavações torácicas) .


Cada pessoa lida com os acontecimentos do seu jeito. Isso me fascina. Isso me assusta, também. Tem gente que é de guerra, gente de paz, e ainda há aqueles que preferem manter-se alheios a tudo que se passa ao seu redor.

Certo dia olhei para os meus pés e vi que não mais havia âncoras presas aos meus tornozelos. Noutro dia estava em outro mar, depois em outro, em outro… me acostumei a apenas assistir de longe a segurança da terra firme. Ela já não me atrai mais. Seria essa, a vida que eu sempre procurei? Aí é que reside o cerne da questão. A vida que eu sempre procurei é, justamente, viver procurando. É eternamente cavar fundo até encontrar, em peito alheio, um coração parecido com meu.




Celular piscou.

Tenho desistido da ideia de eterna felicidade. Desisti. Os momentos que a gente chama de bons momentos só são chamados assim porque existem também aqueles que queremos esquecer. Bons momentos são bombas de endorfina que amolecem os espinhos que nos insistem em perfurar as partes onde nossa pele é mais fina. E essas partes são muitas, principalmente quando estamos despidos de armadura (sempre?). Tendo isso em mente, faço o que está ao meu alcance para que esses momentos sejam numerosos, visto que eles jamais são duradouros. Endorfina vicia.

Tenho assistido a guerras, e não são as da tevê. Em mares que tangem os meus, existem explosões tentando atrair meus olhos. Explosões que pulverizam no ar todo tipo de sentimentos nocivos, perigosos. Quando tudo na nossa vida está em seu devido lugar, não nos passa pela cabeça a ideia de propalar aos quatro ventos essa falsa felicidade. Muito menos, os espinhos, que são de verdade. Forjada com lágrimas contidas, a felicidade anunciada se derrete com a chegada do primeiro sinal do amanhecer. Eu já fui para longe, e te deixo ir, contanto que não olhes mais para trás. Não com essa cara, e não com essas palavras escritas na testa.

Como é que tu pretendes lidar com isso? Conheço mil formas de se proceder; mais da metade delas parecem mais sensatas, ao meu ver. Nessa constante mudança de mares, tenho fugido para cada vez mais longe da fumaça dessas explosões. Hoje, distante a ponto de te ver como um minúsculo ponto próximo à curva do horizonte, encontro-me às portas de uma nova vida, aquela vida que eu sempre procurei: viver procurando. A memória recente de uma longilínea silhueta ornada pelos iluminados prédios da metrópole, mesmo sendo fruto de um mero retrato imaginário e possivelmente efêmero, tem me guiado para longe da tua guerra. E para cada vez mais longe da terra firme. Aqui a água é fria, e a hipotermia me força a dar braçadas cada vez mais convictas, em sentido oposto ao dos teus passos.


Celular piscou de novo. Ainda não. Ich V. D.
  

As baixas que a nossa guerra fria estampa nos jornais são justamente os sentimentos bons, os sorrisos verdadeiros e as memórias que valiam a pena serem guardadas.

Mortos um a um, restam apenas os feridos: eu e tu.


sábado, 28 de agosto de 2010

De incertezas para certezas .



Depois de todos esses dias, eis que me invade algo que me fez voltar a respirar.

Enquanto caminhava por esse caminho incerto, dentro de mim algo pulsava mais forte e me fazia acreditar em tuas palavras, e foi onde me encontrei no final, ao teu lado. Foi essa pulsação que me fez enxergar o caminho exato, ajudou a acabar com as incertezas e reconstruir o que estava em pedaços a muito tempo.

Hoje, não somente agora, mas ontem, antes e com certeza depois, toda a respiração deixou/deixa de ser uniforme, mas por algo extremamente bom.Pelos traços do teu rosto, pela profundidade que o azul dos teus olhos me olham, pelo jeito que me vê e por todas as palvras que tu diz.

Com certeza arrancas sorrisos que ninguém mais conseguiria.

Somente isso.

“ quando ele viu você, não soube o que falar por medo de ouvir uma resposta que fizesse o coração parar, mas se eu fosse você daria uma chance pra tentar…”

Literatura da vida real .


Divagando sobre a vida alheia.


"Vou ser sincera, só de lembrar dos seus relatos, desde quando tudo começou fica claro que você mesmo toda apaixonada está a cada dia menos interessada nele, tanto que já começou a enumerar motivos, e não faz isso só pra mim, mas pra você também.


Aparentemente, de repente, ele não é mais uma idéia tão boa quanto era, de várias maneiras.


E mesmo com tudo isso, você continua apaixonada por ele, e eu entendo bem o motivo, mas hoje comecei a reparar de uma maneira diferente nisso, reparei que aquela primeira sensação que ele lhe proporcionou, de liberdade, quebra de estrutura e energia pra seu desejo de fuga, que fiz com que você caísse de quatro por ele está chegando no ponto de se transferir pra você.


Com isso quero dizer que: você está se reapaixonando por você mesma, ou melhor, está percebendo que seu amor é por você, mas antes você precisa dele como espelho pra poder enxergar-se, e não notava que você é você."

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pretérito Imperfeito .



Tem coisas que eu achei que nunca fosse fazer.
Melhor.
Achei que nunca ia deixar de fazer.
Há uma infinidade de manias,
circuitos ininterruptos,
ciclos viciosos,
falta de diversidade,
hábitos e paranóias que eu sempre mantive sem a menor vontade de transcender.

Fato é que eu sempre achei certa graça nisso.
Tinha um prazer corrupto em ir pelo lado contrário das coisas.
Enquanto o volúvel porém sensato era o IM,eu seguia pelo ÃO.

Ou vice-versa.
E vice-versa.
Conforme atingia a cabeça.

Há um limite tênue entre o que você deve fazer e o que deve falar,e tudo que você não pode dentro disso.

Mas eu não.
Eu gostava de fazer o contrário.
O avesso era como um colchão confortável onde eu cairia aos pulos. De costas.
Mãos pro ar.
Soava de uma ternura tão grande, tão intensa.

Sempre fui uma caprichosa.
Sei bem aonde meus caprichos me levaram.
Algumas admirações e vários, vários repúdios.
Principalmente quando se trata de questões das bem particulares, aquelas que os famosos evitam falar, os mais ricos temem mas que Vinícius e Camões se enchia de letras.
Por uma pequena vez mudei.

Me ocorreu hoje a idéia de fazê-lo.
Fazê-los.
Com todos.
Todas as terceiras pessoas do verbo, seja no singular no plural, masculino ou feminino.
Parei de achar graça no que me fazia mal.
Cheguei a um ponto aonde reconheço:eu era uma bela de uma ranzinza.

Parei de achar graça em parecer irracional, descabeçada, pouco orgulhosa e insistente, para depois de ser escorraçada,encher-me de riso e aquele ar de malvadapensando:
- E nem imaginas a preça que lhes preguei.

Insustentabilidade.

Viver é insustentável, é díficil. Viver, no sentido pleno da palavra, nos convoca muito, nos exige demais. Fácil mesmo é viver pouco, de mansinho. Pra mim, felicidade contida sempre foi sinônimo de mediocridade. Agora, não me entendam mal, não estou falando em não valorizar as pequenas coisas e o trivial da vida, mas sim da questão da implicação com a vida. Em embarcar nela e ser senhor do destino, que ele exista, mas que não te deixe comandar. Isso implica em se colocar, e não se esconder, em tomar as próprias decisões, e arcar com elas, em buscar novos ares, enfrentar tempestades e saber, na hora em que deve ser feito, lançar âncora e buscar aquela terra firme que sabemos que nos sustenta nos momentos difíceis. Viver é saber ser forte e fraco, e que isso não é uma dualidade. É entender que somos como seres dúbios sendo um, como um amontoado de coisas boas e ruins, belas e feias, claras e escuras, que somos anjos e demônios. Viver, sem deixar que caiamos em um só lugar, uma só posição de sujeito, um só polo é o que sustenta a vida plena e a deixa, dia após dia, a batalha mais pesada.


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Deus nos dá pessoas e coisas,  para aprendermos a alegria…
depois, retoma coisas e pessoas, para ver se já somos capazes da alegria
sozinhos, essa .. a alegria que ele quer. (
joão guimarães rosa)

Amor é prosa, sexo é poesia.


Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:
- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.
- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.
- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...
Uma delas (solteira e lírica) me diz:
- Sexo e amor são a mesma coisa...
A outra (casada e prática) retruca:
- Não são a mesma coisa não...
Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.
O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.
O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.
No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude. Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.
Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.
“O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.
Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.
                               
  

O Novo.


A gente acha que, por já ter jogado uma ou duas vezes, pega experiência. PAPO.
Mais uma cidade. Novo ar. Uma casa nova, no mesmo lugar. No entanto, acumulam-se teias de aranha naqueles cantos da nossa alma que a gente tem medo de mexer. Sempre tive medo de mudar a ponto de não me reconhecer em escritos antigos, espelhos empoeirados. Então eu volto ao estado inicial, aquele de anos atrás. A gente sempre acaba voltando pro cassino. Mas o jogo é outro, mais difícil, imprevisível e com uma aposta mínima que a gente simplesmente não tem como pagar. É o mundo ensinando a gente que ainda não deixamos de ser os adolescentes cheios de dúvidas que éramos. A diferença é que somos maiores que outrora, e em nossas cabeças há ainda mais espaço para mais e mais questionamentos. Quanto mais claro fica para mim a noção do que é certo, mais meus pés apontam para o obscuro caminho do absolutamente desconhecido.
Não posso dizer que não gosto. Mas também não direi que tem sido simples. E o que é simples, aos vinte-e-tantos anos?
A gente se sente velho demais para jogar tudo pra cima e fugir. A gente se vê jovem demais pra dar o próximo passo sem olhar pra trás. Então a gente fecha os olhos e caminha até cair. A cada vez que ergo meu corpo, percebo nos pés descalços a textura de um novo chão, na pele o toque de um vento que vem de outro lugar, e que traz consigo outros aromas. Um deles, em especial, me captura o olfato, prendendo-me numa não-intencional caçada sem espingarda em punhos. É o momento em que meu peito pode ser perfurado pela mais insignificante flecha de papel.
* Na mosca, guria. Na mosca.
É sua, aquela silhueta turva dois quarteirões adiante?
Por quê sozinha?
Seria apenas na minha cabeça?
Tenho acordado de sonho nenhum, tenho dormido apenas pra ver se paro de sonhar…
… pra variar.
E é tão real, o pesadelo de perder o discernimento pra sempre.
Mais uma cidade. Novo ar. Uma casa nova, no mesmo lugar.
O que eu aprendi com o amor? Palavrões novos.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

" (...) E então, as pessoas conseguem perceber muito pouco o motivo da existência de outros seres que influenciam nossa vida de certa forma que iremos nos lembrar de cada fato até o fim dela.Acredito que Deus, antes de fazer cada um de nós, escreveu uma história, com todos os detalhes possivéis, que iríamos viver aqui na Terra. Só que no caso do nosso escritor Deus foi mais dificil, porque ele teve também que compreender diversas opções, diversas oportunidades; então para cada pessoa foram feitas várias histórias, cada uma com oportunidades e desalejos diferentes. Algumas histórias tiveram um fim "mais rápido" do que outras. Deus escolheu retirar várias pessoas da vida de outras por julgar que suas missões estavam dadas por completas. Outras vivem ainda, tentando passar realmente a mensagem que trouxe consigo. Considero que, muitas vezes, temos aptidão e carinho por certas pessoas que são rapidamente tiradas de nós, contudo, outras vezes deixamos de lado as que realmente se importam conosco pra dar atenção ao que parece mais favoravél, mais bonito. Não existe ao certo como explicar a antitese social que as pessoas criam: Um dia, a pessoa A é tudo pra você. No outro, você briga com essa pessoa A, não quer mais a ver, e começa se interessar por uma pessoa B, fazendo de conta que A nunca existiu. Os meus simples argumentos só demonstram o quanto somos fracos, o quanto somos dependentes das pessoas e de um ser divino. A vida pode não ser muito fácil, podemos perder pessoas queridas, porém, a dor não precisa conviver conosco, a saudade e a esperança sim. E é exatamente isso que me motiva à cada dia. Não há formulas pra aprender a viver, porém, há pessoas e coisas simples que podem nos fazer felizes.


:: Trecho adaptado do livro de Pedro Menuchelli, introdução: pág 03 ::

Apenas treze.

- Você sabe.
- Sim, eu sei!
- Não estou duvidando.
- Está sendo irônico.
- Não, imagine.
- De novo.
- Você duvida demais. Deveria confiar mais em mim. Eu sou tão real...
- Viu? Você precisa de ironia pra respirar.
- E você precisa de mim pra respirar! Sabe qual a diferença? Eu posso ter a ironia.
- Ótimo.
- E essa foi a única vez que eu fui irônico nessa conversa.
- Sério?
- Não. Você deveria me ligar mais, para conhecer meus tons de voz. Meu rosto é sempre lindo desse jeito.
- Ótimo. Ironia, café e ser um canalha. Quais seus outros vícios?
- Magoar.
- Magoar a si mesmo.
- Não, não. Não sou esperto a esse ponto.
- Parece que é. 
- Não, essa é você. Eu sou quente desse jeito mesmo.
- Ironia, novamente. Deve ter algum trauma com o calor, então!
- É...
- Nossa, você realmente me respondeu.
- Sempre te respondo.
- Respondeu de verdade.
- Só porque não é a resposta que você quer, não quer dizer que é falsa. Você deveria ir escrever um livro, se quer todos os personagens da sua história a seu modo.
- Ai. Doeu. 
- Quer aspirina?
- Não. Por que faz isso comigo?
- Porque sou masoquista.
- Não seria sádico?
- Não, não, eu sou masoquista.
- Quer dizer que me ama? Só sofremos quando os outros sofrem quando os amamos.
- Eu não me lembro de negar isso...
- Então ama.
-... Muito menos de confirmar.
- Por que veste essa máscara sempre?
- É pra me proteger do frio que eu sou.
- Sua mão está quente.
- É porque eu aprendi a me esquentar.
- Ninguém se esquenta sozinho.
- Bom, sempre há uma primeira vez. Quando será a sua?
- Não sou virgem.
- Não disse que era. Sua primeira vez de esquentar-se.
- Eu sou quente.
- Você que pensa. Você é mais fria que eu.
- Não!
- É sim. 
- Por que seria?
- Precisa de outros pra manter-se quente. Isso é tão frio quanto não precisar do calor.
- Não preciso de ninguém!
- Por que está aqui, então?
- Porque eu te amo.
- Não ama. Você mesmo disse que só te machuco. Ninguém ama o que machuca. Você retira de minha frieza seu calor por ser melhor que isso. Não negue. Você precisa. Não gosta.
- Ok, café, ironia, ser um canalha, magoar e mentir.
- Pelo menos eu não minto a mim mesmo.
- Mente sim.
- Não. Você que pensa. Nunca neguei que não prestava. Apenas não grito isso, sabe? Eu tenho que me aproveitar desse corpinho que Deus me deu.
- Achei que era ateu.
Ele riu.
- Eu sou. Precisa aprender a pegar minhas ironias.
- Se você me der uma brecha para eu ver quando você não está sendo irônico, talvez.
- Sete das frases que eu disse nessa conversa são extremamente reais. Sem um pingo de distorção.
- Você contou?
- Não preciso, me lembro de tudo que importa. Tenho memória fotográfica.
- Qual o nome do meio de minha mãe, então?
- Sua mãe já morreu para mim.
- E daí? Ela continua tendo um nome do meio e eu já lhe disse qual é.
- Eu me lembro de tudo que importa, e se tem uma única coisa que eu me importo menos do que com os vivos, são os mortos.
- E por que não se importa com eles?
- E eles lá se importam comigo? Não perco meu tempo com isso.
- Eu me importo com você.
- Tanto que não notou até agora que meu braço esquerdo está sangrando.
- DEUS! Você precisa colocar um curativo agora.
- Não sou Deus. E não preciso.
- Deve estar doendo.
- Está.
- Vou fazer parar.
- Não me passe germes. Não toque em mim.
- É mesmo masoquista?
- Sim. Foi uma das nove frases reais dessa conversa.
- Não eram sete?
- Com essa, são dez.
- Dez?
- Sim, dez. E vai parar por aí.
- Por quê?
-...
- Não precisamos de um motivo para tudo, ora!
- Mas você tem um motivo.
- Não tenho.
- Tem sim. Se não teria dito isso de começo. Ficou calado porque pensava se me contaria ou não.
- Não é verdade.
- Achei que você não mentisse.
- Não minto.
Ela ergueu as sobrancelhas.
- Confesse.
- Certo. Eu tenho um motivo.
- E qual seria?
- Você está pedindo demais!
- Não estou. Pedir demais seria pedir um beijo seu.

- Não, isso seria de menos. Eu beijo várias pessoas.
- E não beijou até agora?!
Ele riu de modo egoísta. Completou:
- Você quer um beijo meu.
- Não quero!
- Quer sim, Natasha.
Ela bufou.
- Está bem, eu quero.
- Certo.
-...
-...
-...
-...
- Voltando ao assunto... Vai me contar ou não o motivo?
- Tudo bem, srta. que quer um beijo meu, eu conto.
-...
- Na verdade, quase todas minhas conversas têm treze verdades. Mas são em ordem de impacto, então as três que viriam agora seriam mais importantes e reais que qualquer coisa que eu já lhe disse nessa conversa. Então prefiro ficar calado.
- Meu Deus, você planeja tudo isso?! É no mínimo doente.
- Sim, porque eu sou doente, querid... Natasha. É por isso que me ama.
- Não é exatamente por isso. Mas eu te amo sim.
Ele mordeu os lábios.
- Então, Michael, vai me contar quais seriam as três verdades?
- Só se você me disser três antes.
- Ok. Eu amo o jeito que seu cabelo cai nos olhos, estou tendo calafrios com esse braço aí que não para de sangrar porque não agüento ver você sofrendo e eu sou completamente possessiva quando se trata de você.
- Uau. As minhas: eu ame... gostei de você desde o dia em que você me empurrou do balanço, na pré-escola. E eu realmente gostaria que você chegasse mais perto.
- Foram somente duas.
- Você ainda quer aquele meu beijo?
- Sim.
- Então essa é minha terceira: eu lhe daria muitos se você quisesse.
- Eu quero. Demais.
Ele olhou para baixo.
- Só beijo meninas com quem eu tenho compromisso.
- Disse aquilo só para me provocar, então? Ah, Mich...
- Não! Foi um convite.
Ela se inclinou em sua direção e ele se levantou rapidamente, se afastando. Ela olhou-lhe confusa, pedindo uma explicação.
- Desculpe, foi a minha décima quarta verdade na conversa e eu preciso manter a média.
Ele correu, segurando o braço que ainda sangrava e deixou uma ruiva com um olhar muito curioso. Bem, já era um avanço... Quem sabe em mais treze ou vinte e seis verdades ela não conseguia uma proposta oficial?